Sinopse /
Assombrada pelas memórias da sua recém-falecida mãe, a ex-vedete Narcisa, Ana decide vender o casarão de infância que herdou e dividir o dinheiro com o irmão, Diego. Porém, o sombrio processo de limpeza revela uma herança bem diferente do que ela imaginava.
Herança de Narcisa é uma versão diferente do clássico filme de possessão. Não fala sobre possessão pelo mal ou pelo diabo, mas, em vez disso, sobre uma possessão pelas questões não resolvidas do relacionamento entre mãe e filha. No sincretismo religioso brasileiro, acredita-se que somente ao reconhecer as projeções e conflitos um do outro, fantasmas e hospedeiros podem se libertar, princípio que também dialoga com a psicologia junguiana. Para quebrar esse ciclo, a única maneira é um exorcismo mútuo.
“Terror de cura” é uma expressão interessante para descrever a proposta de uma nova forma de narrativa que utiliza a lógica do horror, mas não a segue de forma tradicional. Herança de Narcisa não busca instigar mais medo no público; ao contrário, ao explorar um medo mais profundo, a narrativa propõe um caminho de cura, ajudando-nos a compreender nossos próprios conflitos e, eventualmente, superá-los.
O filme foi rodado em um casarão imponente em Santa Teresa, um dos bairros cartão-postal do Rio, e, esteticamente, optamos por trabalhar com elementos brilhantes e glamourosos que remetem à cultura das vedetes brasileiras, em contraste com os símbolos góticos e sombrios tradicionalmente associados aos filmes de terror. O horror emerge, então, nesse universo das vedetes brasileiras não apenas na construção visual, mas também na trilha sonora: utilizamos duas músicas-chave que desempenham papel central nas cenas de possessão, ambas de ícones femininos da era de ouro brasileira dos anos 60, Virgínia Lane e Dalva de Oliveira. Nossa protagonista, Paolla Oliveira, uma das grandes divas do carnaval brasileiro, nunca participou de um filme de terror, o que acrescenta também um importante fator de surpresa.
A onda de terror psicológico dos anos 40, especialmente representada por Cat People (1942) e I Walked With a Zombie (1943), de Jacques Tourneur, foi uma grande inspiração, assim como o mais recente The Night House, de David Bruckner.
Produção
Camisa Preta Filmes
Coprodução
Urca Filmes e Telecine
Distribuição
Olhar Filmes
Direção e Roteiro
Daniel Dias, Clarissa Appelt
Produção
Amanda Amorim, Leonardo Edde, Eduardo Albergaria
Direção de Fotografia
Zhai Sichen
Montagem
Daniel Dias
Direção de Arte
Fernanda Teixeira
Figurino
Roberta Pupo
Direção de Som
João Henrique Costa
Edição de Som
Bernardo Uzeda
Trilha Sonora
Marcelo Conti
Elenco
Paolla Oliveira, Rosamaria Murtinho, Pedro Henrique Müller, Elvira Helena
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