Sinopse /
Iêda (Helga Nemetik), ex-vencedora de concurso de beleza na juventude, sonha que sua filha, Martha (Maitê Padilha), siga a tradição da família e vença um concurso de Miss. No entanto, Martha não tem aptidão nem interesse para isso. Por outro lado, seu filho, Alan (Pedro David), parece ter mais talento para reivindicar a faixa e a coroa. Com a ajuda do “tio Atena” (Alexandre Lino), os irmãos bolam um plano para que Alan realize o sonho da mãe sem que ela saiba.
A originalidade dessa dramédia, repleta de acidez, é que nenhum personagem é moeda de um lado só. A dualidade dos personagens são características fundamentais para criar a empatia com o público, e a contradição, é um dos elementos que envolvem o espectador, propondo assim, uma narrativa original, diferente dos filmes de comédia com olhar maniqueísta produzidos em massa aos moldes hollywoodiano.
Em A MISS, a personagem principal, ao ser obrigada a conviver com a descoberta da sexualidade do seu filho, precisa se reconstruir de maneira profunda, apresentando o grande conflito do filme.
Como dramédia, A MISS bebe na fonte mais pura do cineasta espanhol Pedro Almodóvar. Suas personagens, principalmente as femininas, são dramáticas, vívidas, passionais e são referências diretas para essa obra. Filmes como Volver, Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, ou mesmo Tudo Sobre Minha Mãe elucidam o tom das personagens femininas, que brilham em suas nuances entre o riso e o choro para conduzir as histórias na tela.
Além disso, os filmes de Pedro Almodóvar se tornam referência no pioneirismo de retratar a sexualidade dos seus personagens de forma intensa, e que apresentam histórias LGBTQIAP+ amarradas à estrutura dramática do filme, fazendo com que os conflitos dessas personagens não entrem no enredo como alívio cômico e sim como protagonismo na narrativa.
Outras referências para o tom cômico do filme é o humor encontrado nos longa-metragem de Wes Anderson e François Ozon. Anderson traz para sua obra humor que varia entre o irônico e o pueril, além de demarcar o clima de seus filmes com cores vibrantes em sua direção de arte, que transmitem uma atmosfera vívida, assim como nos filmes de Almodóvar. Já Ozon, trata de maneira séria os conflitos de suas personagens, e tem capacidade de provocar comoção emocional, criando o riso a partir do patético como em Potiche - Esposa Troféu e Oito Mulheres.
A MISS é um filme que traz uma narrativa linear, mas que não renuncia ao uso de recursos como flashback. O roteiro tem arquétipos de personagens que buscam a jornada do herói, mas que rompem com a necessidade da redenção ao final da trama. É um texto que se torna uma alegoria para a vida sobre os nossos conflitos internos e que propõe reflexão ao abordar temas socialmente relevantes em sua história.
Direção
Daniel Porto
Produção
Alexandre Lino, Daniel Porto e Angélica Coutinho
Roteiro
Daniel Porto
Fotografia
Juarez Pavelak
Direção de Arte
Fernanda Teixeira
Montagem
Paulo Fontenelle
Trilha Sonora
Alexandre Elias
Som Direto
Daniel Melo
Música Original
Alexandre Elias
Finalização de Som
Ariel Henrique e Cláudio Avino
Elenco
Helga Nemetik
Alexandre Lino
Maitê Padilha
Pedro David
Eduardo Martini
Andrea Veiga
Ava Simões
Francisco Salgado
Ellen De Lima
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