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Cartaz do Filme

Virtuosas

Sinopse /

Um retiro VIP promete aperfeiçoar mulheres em busca de sua melhor versão, sob as regras de uma fé que não admite falhas. Mas essa jornada virtuosa acaba se revelando absurda e perigosa.

Brasil

Ano de Lançamento

2026

Gênero

Duração

86 min

Direção

Cíntia Domit Bittar

Nota da Direção

SOBRE O UNIVERSO ABORDADO

O medo é uma das matérias-primas do terror e ao longo de nossas vidas, nossos medos vão também mudando conosco. Quando eu era criança, até tinha medo de alguns monstros e demônios que via nas centenas de filmes que devorava. Hoje eu sou uma mulher adulta feminista de quarenta anos e nada me assusta mais do que o retrocesso, o negacionismo e o fundamentalismo religioso.
Há cerca de dez anos, conheci a expressão em inglês trad wife, que traduzindo para o português seria “esposa tradicional" e hoje em dia é um termo que se popularizou bastante. Fiquei absolutamente fascinada (e amedrontada?) por esse universo e a ideia de mergulhar nele para um filme não desgrudou mais da cabeça. E aí veio a pergunta: como são os grupos de trad wives brasileiras?
Aprofundando na pesquisa, entendi que esse é um termo que não é tão utilizado por aqui, nem sua tradução. Foi quando encontrei o conceito de “mulher virtuosa” sendo repetido à exaustão, como um lema, por grupos de mulheres cristãs por todo o país. Entendi que, assim como as norte-americanas e europeias, elas também se orientam pelo versículo 31, justamente o da mulher virtuosa. Mas aqui essa expressão ganha contornos de identidade e, porque não dizer, de movimento organizado. Há milhares de grupos de mulheres virtuosas por todos os estados, com eventos e agendas próprias. E eu pensei: ótimo, agora posso adentrar um universo que é também bem brasileiro - e muito mais do que eu imaginava. Encontrei nesse caldo o terreno perfeito para abordar temas como o fanatismo, o negacionismo e as consequências do movimento anti-vacina.


A PESQUISA 

Para dar verossimilhança e solidez ao universo do filme, a pesquisa foi realmente fundamental e focada especialmente em “mulheres virtuosas” na faixa dos 25 aos 40 anos, de uma variada classe média. O material serviu não somente para a construção das personagens, mas também para a estética do filme e os diálogos do roteiro. Algumas cenas do filme chegam a soar quase documentais, ainda que sejam ficção, e algumas falas são inteiramente baseadas em trechos reais levantados nessa pesquisa, por mais que soem inacreditáveis para quem não tem contato com esse contexto. A cena da ginástica, por exemplo, provavelmente já rolou no feed de boa parte do público, sendo performada tanto em ambientes cristãos quanto do mundo corporativo. É importante frisar que criamos personagens dentro desse espectro, o que não significa que eu pense que todas as mulheres cristãs sejam assim, porque não são.
Um dos achados foi a predileção de boa parte dessas mulheres por certas cores, tecidos, roupas e decorações, remetendo a uma moda modesta e a um ideal conservador, mas ainda assim com muita personalidade e elegância em algumas personagens. Propus uma paleta de cores-tema a partir desses achados, orientada por uma cor principal a qual apelidamos de “pêssego socorro", e apresentei toda a pesquisa para a equipe de arte, que rapidamente se apropriou dos conceitos e inovou, criando um mundo visualmente coerente e atraente para um público curioso, disposto a encontrar novas representações no cinema brasileiro. Foi um trabalho conjunto e muito feliz com o diretor de arte Dicezar Leandro, o figurinista César Martins e a caracterizadora Gabriela Brandão, bem como suas equipes.

GÊNERO E TOM

Acredito no terror como um gênero muito mais amplo e elástico do que o senso comum costuma enxergar — capaz de se misturar com o drama, o humor, o suspense psicológico, sem perder sua potência de desconforto. Virtuosas caminha nessa linha contemporânea de terror que vem esticando os limites do próprio gênero, mesclando códigos narrativos diferentes. Não escolhi um caminho de sustos fáceis: optei por uma narrativa em ritmo slow burn, que "queima devagar" — uma tensão que vai se acumulando cena a cena, sem um motivo explícito no início, até se revelar com toda intensidade no final. É um terror que se instala aos poucos, no reconhecimento incômodo de que aquilo que parece absurdo pode estar mais perto da realidade do que gostaríamos.
Esse terror também convive, o tempo todo, com um humor ácido, quase de constrangimento — do tipo que faz rir e, um segundo depois, sentir um aperto no estômago por estar rindo daquilo. Não fiz um filme para pregar um discurso ou para enfiar goela abaixo um conceito; fiz um filme para o público sentir angústia, achar absurdo, se surpreender, rir sem saber se pode. As reflexões vêm depois, como consequência — nunca como ponto de partida. E, no centro dessa mistura de tom, estão as personagens: mulheres complexas, ambíguas, algumas sem escrúpulos, que escapam das caixas de vítima, sobrevivente, mocinha ou vilã. Explorar o feminismo dentro do terror, para mim, não é repetir a fórmula da "final girl" nem reduzir a violência à figura masculina — é permitir que essas mulheres sejam, à sua maneira, monstruosamente humanas.

A Equipe Que Fez Tudo Acontecer

Roteiro
Cíntia Domit Bittar e Fernanda de Capua
Elenco
Bruna Linzmeyer, Maria Galant, Juliana Lourenção, Sarah Motta, Brisa Marques e Gabriel Godoy
Empresa Produtora
Novelo Filmes
Produção
Ana Paula Mendes e Cíntia Domit Bittar 
Coprodução e Distribuição
Olhar Filmes
Codistribuição
Filmes do Estação 
Produção Associada
Cajamanga
Direção de Fotografia
Gabriel Rinaldi
Montagem
Cíntia Domit Bittar
Direção de Arte
Dicezar Leandro
Figurino
César Martins
Caracterização
Gabriela Brandão
Som Direto
Daniel Becker
Desenho de Som e Mixagem
Tiago Bello
Música
Pedro Santiago e Daniel Becker
Direção de Produção
Tatiana Tanaka
Produção Executiva
Ana Paula Mendes

Galeria

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